Solidão e Isolamento Social: Impactos na Saúde Mental, Utilização de Serviços e a Psicoterapia Analítica Funcional

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A solidão e o isolamento social têm um impacto significativo na saúde mental e física dos seres humanos, aumentando o risco de problemas físicos e transtornos mentais (Hawkley & Cacioppo, 2010). A falta de apoio social e a consequente solidão são frequentemente associadas à utilização de serviços de saúde mental (Kent & Yellowlees, 1995), o que torna os comportamentos interpessoais alvos importantes para diversas abordagens psicoterapêuticas (por exemplo, Klerman et al., 1984).

Consequências da Solidão

Como seres sociais, os humanos dependem de um ambiente social seguro e de apoio para prosperar. A percepção de isolamento social aumenta a vigilância para ameaças e intensifica sentimentos de vulnerabilidade, aumentando também o desejo de reconexão. A hipervigilância implícita para ameaças sociais altera processos psicológicos que influenciam o funcionamento fisiológico, diminuem a qualidade do sono e aumentam a morbidade e mortalidade (Hawkley & Cacioppo, 2010).

Perfis de Uso Intenso de Serviços de Saúde Mental

Um estudo realizado na South Australian Mental Health Services (SAMHS) identificou os 50 usuários mais intensivos dos serviços psiquiátricos de Adelaide. Esses pacientes, com doença psiquiátrica crônica grave, frequentemente complicada pelo abuso de substâncias, mostraram-se gravemente incapacitados em viver com sucesso na comunidade (Kent & Yellowlees, 1995).

Aplicação da Psicoterapia Analítica Funcional (FAP)

Para lidar com a solidão e o isolamento social, a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) pode ser uma abordagem eficaz. A FAP foca na melhoria das habilidades interpessoais e na construção de relacionamentos significativos, visando reduzir a solidão e aumentar o apoio social na vida cotidiana do cliente a partir da construção de uma relação terapêutica intensa e restauradora. Ao identificar e reforçar comportamentos interpessoais saudáveis, a FAP pode ajudar os indivíduos a se reconectarem com os outros e, por exemplo, a reduzirem a vigilância excessiva para ameaças sociais, promovendo uma melhor saúde mental e física (Klerman et al., 1984; Holman et al., 2022).

Conclusão

Em resumo, a solidão e o isolamento social têm sérias consequências para a saúde mental e física. Abordagens terapêuticas como a FAP podem ajudar a enfrentar esses desafios, fortalecendo as habilidades interpessoais e promovendo uma melhor integração social.

Referências

Hawkley, L. C., & Cacioppo, J. T. (2010). Loneliness matters: A theoretical and empirical review of consequences and mechanisms. Annals of Behavioral Medicine, 40(2), 218–227. https://doi.org/10.1007/s12160-010-9210-8

Holman, G., Kanter, J., Tsai, M., & Kohlenberg, R. (2022). Psicoterapia analítica funcional descomplicada: guia prático para relações terapêuticas. Novo Hamburgo: Sinopsys Editora.

Kent, S., & Yellowlees, P. (1995). The relationship between social factors and frequent use of psychiatric services. Australian and New Zealand Journal of Psychiatry, 29(3), 403–408. https://doi.org/10.3109/00048679509064947

Klerman, G. L., Weissman, M. M., Rounsaville, B. J., & Chevron, E. S. (1984). Interpersonal psychotherapy of depression. Basic Books.

Escrito por:

Rodrigo Xavier

Psicólogo (UFMS) e psicoterapeuta, Doutor em Psicologia Clinica (USP) com estágio sanduíche na University of Washington sob os cuidados dos Ph.D. Robert Kohlenberg, Mavis Tsai e Johnatan Kanter. Treinador certificado de FAP desde 2021. Líder de encontros do Projeto Global Viva com Consciência, Coragem e Amor desde 2018. Professor nos cursos de Formação em FAP e Terapia Analítico-Comportamental Infantil do IBAC.

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