Você já se perguntou por que algumas pessoas agem de determinadas maneiras? A análise funcional (AF) é uma ferramenta poderosa da psicologia comportamental que oferece respostas a essa pergunta, ajudando a entender e modificar comportamentos problemáticos. A psicologia comportamental não ignora a importância da história de vida e experiências passadas, mas o que causa problemas atualmente, embora venha carregada de outros elementos como cultura e história de aprendizagem, é mantido por consequências e contextos também atuais. Em vez de procurar causas muitas vezes intangíveis, focamos no aqui e agora, identificando o que mantém um comportamento específico.
Imagine um quebra-cabeça: cada peça representa um evento antecedente (o que acontece antes), o comportamento em si (a peça central) e as consequências (o que acontece depois). A AF junta as peças para mostrar a imagem completa, revelando a função do comportamento. Ela se baseia nos princípios do condicionamento operante, descobertos por B.F. Skinner e investiga como os comportamentos são influenciados pelas suas consequências.
Do microscópio ao telescópio: Análises Molecular e Molar

Existem duas abordagens principais para uma análise funcional: a Análise Molecular e a Análise Molar. A primeira, similar a um microscópio, examina eventos específicos que precedem, constituem e seguem um comportamento. Utilizando a tríplice contingência (A : R → C), identifica-se o antecedente, a resposta (comportamento) e a consequência. É ideal para comportamentos específicos e discretos. Exemplo: uma criança chora (R) quando está com fome (A) e recebe comida (C), reforçando o choro como forma de obter alimento.
A Análise Molar é mais ampla, como um telescópio. Ela considera padrões de comportamento ao longo do tempo, incluindo a história de vida e contextos diversos. Identifica classes de comportamentos e contextos similares em diferentes situações. Exemplo: alguém que evita situações sociais (um padrão de comportamento) por causa de experiências negativas passadas (histórico). Para uma compreensão completa, a análise molecular e a análise molar devem ser integradas. A primeira fornece detalhes precisos, enquanto a segunda contextualiza esses detalhes, permitindo intervenções mais eficazes e duradouras.

A análise funcional é usada em diversas áreas, incluindo a psicoterapia, a educação, as organizações públicas e privadas, entre outras. É uma ferramenta poderosa e versátil para entender e modificar comportamentos. Sua capacidade de identificar as relações funcionais entre comportamentos e seus contextos a torna essencial para profissionais em diversas áreas que buscam promover mudanças positivas e duradouras na vida das pessoas.
Sugestão de leitura
Nery, L. B., & Fonseca, F. N. (2018). Análises Funcionais Moleculares e Molares: um Passo a Passo. Em: A. K. C. R. de-Farias; F. N. Fonseca &; L. B. Nery. (Org.). Teoria e Formulação de Casos em Análise Comportamental Clínica (pp. 1-22). Porto Alegre: Artmed.
Como citar este artigo (APA):
de Lima, I. (2025, 21 de fevereiro). Desvendando o Comportamento: Uma Introdução à Análise Funcional. Blog do IBAC. https://ibac.com.br/desvendando-o-comportamento-uma-introducao-a-analise-funcional
Escrito por:

Izabella de Lima
Psicóloga clínica (CRP: 06/143962). Supervisora de estágio e docente no curso de Pós-graduação em Análise Comportamental Clínica do IBAC, Coordenadora do Núcleo de Ensino Personalizado (NEP) do IBAC.