O que a Ativação Comportamental Ensina a Terapeutas

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A Terapia de Ativação Comportamental, ou Behavioral Activation Therapy (BAT) em inglês. é um modelo de intervenção psicoterapêutica comumente breve e focada em ajudar pessoas a modificar padrões de comportamentos denominados depressivos, através do engajamento em atividades significativas.Para revisar a estrutura desse modelo de terapia e uma breve descrição de seus componentes, confira nossa postagem anterior aqui.

Ao praticar BAT, você pode estar aprendendo muito mais do que imagina. Analistas do Comportamento entendem bem que o aprendizado é uma modificação da relação do organismo com o meio. Quando um(a) terapeuta aprende BAT, não aprende apenas o que fazer com um cliente depressivo: tem habilidades suficientes para conduzir a BAT – muitas das quais são aperfeiçoamentos valiosos e generalizáveis para a conduta clínica como um todo.

Por exemplo, a diretividade é um aspecto da postura do terapeuta que recebe ênfase na BAT pela observação de que pessoas com o diagnóstico de depressão sentem muita dificuldade para fazer qualquer coisa, inclusive engajar-se na terapia. Logo de cara, isso apresenta um desafio ao tratamento.

Terapeutas de BAT treinam para apresentar um equilíbrio entre energia e compaixão ao discutir a racional do tratamento, solicitar o consentimento do cliente, estabelecer objetivos terapêuticos em conjunto e promover a esperança de melhora. Esse treino forma terapeutas hábeis na formação da aliança terapêitoca, e isso será relevante sempre.

Agendamento e monitoramento de atividades é o que não pode faltar se estamos falando de BAT. É desafiador comunicar à cliente que ela terá que fazer registros de suas atividades e de seu humor, ao longo da semana, sem que esse procedimento se torne aversivo. Clientes podem entender a produção de registros como um dever de casa enfadonho, o que será especialmente prejudicial na presença de uma história de vida repleta de punições escolares.

Terapeutas BAT se atentam ao custo de resposta dos comportamentos que solicitam de seus clientes. Desenvolvem assim a empatia e o raciocínio clínico necessários para pedir da cliente aquilo que mais provavelmente terá sucesso em fazer. Em qualquer outra queixa clínica, também será valioso auxiliar clientes a identificarem objetivos realistas e validarem seus pequenos passos.

 A BAT é um modelo de tratamento comportamental elegante, muitas vezes considerado fácil de aprender e de ensinar. Devido ao suporte empírico da BAT, terapeutas que não se identificam como analistas do comportamento também interessam-se por BAT. Alguns livros adaptam sua linguagem para ser acessível a mais públicos e não punir o interesse pela ciência comportamental à primeira vista.

Se você é Analista do Comportamento em formação, pode estar se perguntando sobre as análises funcionais. Realizar uma formulação de caso comportamental é um comportamento complexo e não há muito consenso ou recursos sobre como ensiná-lo. Estudos recentes têm desenvolvido modelos de análise funcional potencialmente facilitadores desse aprendizado, embora ainda faltem estudos para afirmar isso. Porém, o coração da BAT é a análise funcional; assim, esse é um dos repertórios importantes desenvolvidos por terapeutas BAT.

Falando em estudos, esse texto foi produzido concomitantemente ao início de um Grupo de Estudos Avançado (GEA) em Terapia de Ativação Comportamental mediado por nós duas, no IBAC. Para mais detalhes acesse: ibac.com.br/geas.

Para saber mais:

Lejuez, C. W., Hopko, D. R., Acierno, R., Daughters, S. B., & Pagoto, S. L. (2011). Ten year revision of the brief behavioral activation treatment for depression: revised treatment manual. Behavior Modification, 35(2), 111-61. https://doi.org/10.1177/014544551039092

Kanter, J. W., Busch, A. M., & Rusch, L. C. (2022). Ativação Comportamental. Série Características Distintivas. Novo Hamburgo: Sinopsys Editora.

Escrito em colaboração com:

Andressa Secchi

Psicóloga (CRP 07/35022) Pós-graduada em Análise Comportamental Clínica pelo IBAC e mestranda em Análise do Comportamento na UEL. Mediadora do GEA de Terapia de Ativação Comportamental.

Escrito por:

Renata Cambraia

Editora do blog. Coordenadora de Pesquisas e Publicações no IBAC. Doutora em Psicologia pela Universidade do Minho, Portugal.

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