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Como incorporar a perspectiva de gênero à prática clínica

Avaliação, formulação de caso e intervenção com mulheres na clínica analítico-comportamental.
Ministrado por: Me. Larissa Cristina da Silva Portela.
Currículo:

CRP 01/17510 – Psicóloga e mestre em Ciências do Comportamento (UnB), Formações em Terapia Analítico-Comportamental e Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT), especializada em clínica para mulheres com perspectiva de gênero e cultura, terapeuta, professora de pós-graduação e supervisora há mais de 15 anos.

Específico para estudantes e profissionais de psicologia por ser tratar de técnicas de manejo clínico

Capacitar psicólogas(os) a incorporar a perspectiva de gênero ao raciocínio clínico de forma prática, transformando conhecimentos sobre gênero e socialização de mulheres em elementos concretos para a avaliação, a formulação de caso e a tomada de decisão clínica.

Ao longo do minicurso, as(os) participantes aprenderão a:

  • identificar como contingências relacionadas a gênero podem participar da construção e da manutenção dos repertórios apresentados por mulheres na clínica;
  • investigar essas variáveis durante a avaliação clínica, formulando perguntas que ampliem a compreensão da história de aprendizagem e do contexto atual da cliente;
  • incorporar práticas culturais, regras e contingências sociais à análise funcional sem reduzir o sofrimento da cliente a explicações genéricas sobre gênero;
  • reconhecer quando dificuldades apresentadas como problemas individuais podem estar relacionadas também às condições sociais e relacionais nas quais a cliente está inserida;
  • construir formulações de caso que articulem história de aprendizagem, contingências atuais e contexto sociocultural;
  • analisar como a inclusão da perspectiva de gênero modifica objetivos terapêuticos e escolhas de intervenção;
  • planejar intervenções voltadas tanto à ampliação de repertórios individuais quanto à identificação e modificação de contingências ambientais relevantes;
  • utilizar a relação terapêutica de maneira sensível às contingências de gênero, evitando reproduzir na própria terapia expectativas normativas sobre como uma mulher deveria sentir, escolher ou viver.

Ao final, espera-se que as(os) participantes sejam capazes de utilizar a perspectiva de gênero não apenas como referencial teórico, mas como uma ferramenta para avaliar, formular casos e tomar decisões clínicas diante de situações concretas da prática com mulheres.

Encontro 1 — Da queixa à formulação: como enxergar gênero no caso clínico (3h)

Perspectiva de gênero como ferramenta de análise clínica: o que muda quando gênero entra na compreensão do caso.

Do contexto sociocultural às contingências: como traduzir fenômenos sociais em variáveis relevantes para a análise do comportamento individual.

Socialização de gênero e construção de repertórios: aprendizagem, reforçamento, punição, modelação e controle social na história de mulheres.

Onde procurar gênero na avaliação clínica: história de aprendizagem, relações afetivas, trabalho, cuidado, maternidade, corpo, sexualidade, autonomia, limites, culpa, autocobrança e redes de apoio.

Como investigar essas variáveis: perguntas clínicas e levantamento de contingências sem pressupor experiências a partir do gênero da cliente.

O risco da dupla individualização: quando a clínica trata como déficit pessoal repertórios construídos e mantidos socialmente.

O problema inverso: quando “patriarcado”, “machismo” ou “socialização feminina” viram explicações circulares e substituem a análise funcional.

Incorporando gênero à análise funcional e à formulação de caso: antecedentes, consequências, operações motivadoras, regras, repertórios e contingências sociais.
Exercício guiado de formulação a partir de caso clínico.

Entre os encontros — aplicação à própria prática

Cada participante recebe um roteiro de análise clínica com perspectiva de gênero e aplica a um caso de sua prática, preservando integralmente o sigilo. A ideia não é entregar o caso, mas chegar ao segundo encontro tendo identificado onde conseguiu avançar e onde empacou.

Encontro 2 — Da formulação à intervenção: o que fazer com o que encontramos (3h)

Da compreensão contextual à tomada de decisão clínica: se gênero participa da formulação, o que efetivamente muda na intervenção?

Diferenciando mudança individual de mudança contextual: quando ampliar repertórios, quando modificar contingências, quando trabalhar discriminação das contingências e quando construir condições para mudanças fora da sessão.

Intervenções sobre repertórios frequentemente selecionados e mantidos por contingências de gênero: submissão e apaziguamento; dificuldade de estabelecer limites; culpa; autocobrança; responsabilização pelo cuidado e pelas relações; dependência e autonomia; esquiva de conflito; busca de aprovação.

Valores, escolha e autonomia sem desconsiderar restrições materiais e sociais.

Como evitar que a própria terapia reproduza prescrições de gênero — inclusive prescrições aparentemente “feministas” sobre como uma mulher deveria viver.

A relação terapêutica como contexto para identificar e modificar repertórios relacionados a gênero.

Formulação → objetivo terapêutico → intervenção: construindo coerência entre as três etapas.

Discussão das dificuldades encontradas na atividade entre encontros.

Caso integrador: avaliação, formulação e planejamento de intervenção do início ao fim.

Dias: 03 e 10/10/2026

Horário: das 9hrs às 12hrs (horário de Brasília).

Específico para estudantes e profissionais de psicologia por ser tratar de técnicas de manejo clínico.

Este evento concederá certificado que será disponibilizado em até 03 dias úteis.

Evento on-line.
Este evento será gravado e disponibilizado por 30 dias após o término do evento.

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