Sobre dias cinzas: falando de depressão

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“Tristeza, por favor, vá embora

Minha alma que chora, está vendo o meu fim

Fez do meu coração a sua moradia, já é demais o meu penar

Quero voltar àquela vida de alegria, quero de novo cantar”

(Niltinho e Haroldo Lobo)

Conhecida como mal do século 21, a depressão parece estar cada vez mais presente na sociedade contemporânea. Segundo a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5, 2014) o Transtorno Depressivo Maior engloba alterações de humor, de sono, de padrões alimentares, dentre outras. O humor, fica, normalmente, mais rebaixado, a pessoa se vê mais triste, vazia, fadigada, sem ânimo, sem esperança, como se a vida estivesse cinza, sem vontade de fazer coisas que antes lhe davam prazer, tende a não querer encontrar amigos, familiares e pessoas queridas.

As mudanças no sono que vão da insônia a uma sonolência excessiva (hipersonia). É importante, inclusive, investigar se o sono em excesso não está funcionando como uma esquiva do indivíduo dos estímulos aversivos presentes em seu ambiente. As alterações nos padrões alimentares podem ser caracterizadas tanto pela perda de apetite, quanto por um maior consumo de determinados alimentos, especialmente aqueles que dão uma sensação imediata de bem-estar como os ricos em açúcares e gorduras. Essas mudanças na alimentação podem promover alterações no peso, para mais ou para menos, sem que nenhuma dieta específica esteja sendo seguida. Vale ressaltar que para um diagnóstico preciso deve-se levar em conta, por exemplo, a intensidade ou gravidade dos sintomas, seu tempo de duração, número de ocorrências, dentre outros fatores.

Normalmente pode-se observar que pessoas com depressão possuem baixa densidade de reforçadores em sua rotina. Uma vez que deixam de realizar atividades que gostavam, que os deixavam felizes e se privam do contato de pessoas que compunham sua rede de apoio social, acabam ficando mais vulneráveis a um possível rebaixamento de humor. O aparecimento dos sintomas costuma estar associado também a perdas de maneira geral, que envolvem o luto em alguma instância como perda de um ente querido, fim de um relacionamento, perda de emprego (para mais informações sobre luto ver as sugestões de leitura abaixo), contato com situações estressantes e/ou inserção em contextos aversivos.

No que diz respeito ao tratamento, a associação da intervenção farmacológica com a psicoterápica tem se mostrado mais eficiente na melhora do quadro, do que somente o tratamento medicamentoso. O trabalho com uma equipe interdisciplinar com médicos, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, dentre outras especialidades pode ser interessante uma vez que abrange diversas instâncias da vida do indivíduo.

Dentre as intervenções psicoterapêuticas que podem ser utilizadas nos casos de depressão estão, por exemplo, o desenvolvimento de habilidades de interação social para que se possa reestabelecer ou construir a rede de apoio social do cliente, a inserção de reforçadores na rotina do indivíduo, a construção de repertórios que o auxiliem em situações que envolvam resolução de problemas, dentre outros. É muito importante que se compreenda a função de determinados comportamentos que o indivíduo apresenta e o que os mantém para que se possa traçar um delineamento de intervenção que atenda às demandas.

Referência

American Psychiatric Association (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, M. I. C. N. (trad.), 5 ed. Porto Alegre: Artmed.

Sugestões de leitura sobre luto

Casellato, G. (2020). Luto por perdas não legitimadas na atualidade. São Paulo: Summus Editorial.

Casellato, G. (2020). O resgate da empatia – suporte psicológico ao luto não reconhecido. 2 reimp. São Paulo: Summus Editorial.

Franco, M. H. P. (2021). O luto no século 21 – uma compreensão abrangente do fenômeno. São Paulo: Summus Editorial.

Sugestões de leitura sobre depressão

Abreu, P. R., & Abreu, J. H. S. S. (2020). Ativação comportamental na depressão. Barueri: Manole.

Hunziker, M. H. L. (2005). O Desamparo aprendido revisitado: estudos com animais. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 21(2), 131-139.

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