A Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) tem se destacado como uma abordagem terapêutica promissora, com um crescente corpo de evidências científicas. A FAP se concentra na análise e intervenção nas relações interpessoais, visando promover mudanças comportamentais significativas através da própria relação terapêutica.
A FAP é uma abordagem terapêutica baseada no Behaviorismo Radical e na Análise Comportamental Contextual, que busca compreender o comportamento humano dentro de seus contextos sociais e históricos. Ao invés de se concentrar em diagnósticos e sintomas isolados, a FAP foca em como os comportamentos são reforçados e mantidos nas interações sociais, incluindo a relação terapêutica.
Diversos estudos têm investigado a FAP sob diferentes perspectivas, como:
Objetivo do grupo:
O objetivo deste grupo é fomentar a pesquisa em FAP no Brasil, contribuindo para a disseminação de conhecimento científico sobre essa abordagem e para o aprimoramento das práticas clínicas. Através da replicação de estudos, da realização de novas pesquisas e da produção de conhecimento original, busca-se:
Diante da crescente adesão às terapias contextuais no Brasil, é fundamental que a pesquisa em FAP se desenvolva de forma robusta, proporcionando uma base científica sólida para a prática clínica e contribuindo para o avanço do campo da psicologia.
Efeitos da Psicoterapia Analítica Funcional sobre a intimidade em mulheres trans e travestis: ensaio clínico randomizado
Gabriela Melo Silvestrini, Natália Borges Campos e Rodrigo Nunes Xavier
A construção da identidade de gênero envolve aspectos subjetivos, culturais e sociais que podem impactar diretamente a saúde mental e as relações interpessoais. Mulheres trans e travestis, em especial, vivenciam situações de invalidação, discriminação e violência, dificultando o estabelecimento de vínculos íntimos e satisfatórios. Nesse contexto, a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP), baseada no behaviorismo radical, revela uma abordagem promissora ao utilizar a relação terapêutica para o desenvolvimento de repertórios interpessoais mais adaptativos. O presente estudo tem o objetivo de avaliar a eficácia da FAP em grupo para melhorar a criação e manutenção de relações íntimas de mulheres trans e travestis. Será realizado um ensaio clínico randomizado com grupo experimental e grupo controle em lista de espera. A amostra será composta por 20 mulheres trans ou travestis, maiores de 18 anos e residentes no Brasil. Os 10 encontros semanais durarão de 90 a 120 minutos, serão realizados remotamente, com avaliação de instrumentos psicométricos (ECCR-VR, IHS2, EPSUS-A, BAI e BHS) aplicados pré e pós-intervenção, além de diários de bordo registrados pelas participantes e entrevistas semiestruturadas. Os dados quantitativos serão analisados por meio do cálculo do tamanho de efeito, enquanto os dados qualitativos serão submetidos à análise de conteúdo temática. Espera-se contribuir para a produção científica sobre saúde mental da população trans e para o desenvolvimento de práticas clínicas sensíveis às demandas interpessoais e subjetivas dessas mulheres, preenchendo uma lacuna na literatura sobre intervenções baseadas em evidências para essa população.
Palavras-chave: Psicoterapia Analítica Funcional; mulheres trans; travestis; relações íntimas; consciência; coragem; amor.
Intimidade e masculinidades: contribuições da Psicoterapia Analítica Funcional em grupo com homens
Vitor Silva de Amorim, Francisco José Elder Furtado Marques, Luan Pinheiro Costa e Rodrigo Nunes Xavier
O presente estudo tem como objetivo verificar a eficácia da Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) em grupo para o desenvolvimento de intimidade entre homens, visando reduzir comportamentos problemáticos que a literatura especializada tem relacionado à masculinidade hegemônica e fortalecer repertórios alternativos. Fundamentamo-nos na Análise do Comportamento e no modelo Consciência, Coragem e Amor (ACL). A pesquisa consiste em um ensaio clínico randomizado (RCT) com análise mista (qualitativa e quantitativa), incluindo um grupo de intervenção e um grupo controle em lista de espera, cada um composto por oito participantes homens, maiores de 18 anos. A intervenção será conduzida de forma remota, em oito encontros grupais semanais baseados nos princípios da FAP/ACL, integrando práticas de mindfulness, exercícios de vulnerabilização e responsividade interpessoal. Serão utilizados instrumentos psicométricos como a Escala de Consciência, Coragem e Responsividade – Versão Randomizada (ECCR-VR), a Escala de Autocompaixão (SCS), o Inventário de Habilidades Sociais 2 (IHS2-Del-Prette) e o Male Role Norms Inventory (MRNI), além de análise qualitativa de conteúdo das transcrições das sessões. A análise de dados combinará comparações pré e pós-intervenção entre os grupos, bem como a triangulação com os dados qualitativos. Espera-se que a intervenção promova aumento dos comportamentos de consciência, coragem e amor de modo a promover intimidade nas relações interpessoais e enfraquecer repertórios problemáticos associados à masculinidade hegemônica. O estudo busca contribuir também para ampliar as evidências sobre a aplicabilidade da FAP com grupos e com participantes homens, lacunas identificadas em meta-análises da área.
Palavras-chave: Psicoterapia Analítica Funcional; Ensaio Clínico Randomizado; masculinidades.
A Psicoterapia Analítica Funcional para Desenvolvimento de Habilidades Interpessoais e Qualificação das Relações de Trabalho
Letícia Lorbieski, Nathália Montenegro e Rodrigo Nunes Xavier.
Este estudo propõe investigar os efeitos de uma intervenção psicológica baseada na Psicoterapia Analítica Funcional (FAP), fundamentada no modelo Consciência, Coragem e Amor (ACL), sobre o desenvolvimento de habilidades interpessoais em trabalhadores com vínculo formal. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, com abordagem de métodos mistos, envolvendo 20 participantes alocados em grupo de intervenção ou grupo controle em lista de espera. A intervenção ocorrerá de forma online, com um encontro terapêutico semanal durante dez semanas. Serão utilizados instrumentos psicométricos validados (Escala de Consciência, Coragem e Responsividade – Versão Randomizada, Escala de Clima e Relações de Trabalho, Inventário de Habilidades Sociais, Questionário de Satisfação no Trabalho e Escala de Autocompaixão) para avaliar mudanças no repertório interpessoal, na satisfação no trabalho, na autocompaixão e nas percepções de vínculos profissionais. Também será realizada uma análise qualitativa das falas e relatos escritos dos participantes, com base na análise de conteúdo temática, organizada segundo os pilares do modelo ACL. Embora o estudo não avalie diretamente o ambiente organizacional, busca compreender se o fortalecimento das habilidades interpessoais pode favorecer relações de trabalho mais autênticas, conscientes e colaborativas.
Palavras-chave: Psicoterapia Analítica Funcional; habilidades interpessoais; intervenção em grupo; modelo Consciência, Coragem e Amor; relações no trabalho; saúde mental no trabalho.
Colferai, R. N.; Eger, L. C. C. P.; & Xavier, R. N. (2026) A Psicoterapia Analítica Funcional na orientação parental para a regulação emocional em crianças autistas. [Manuscrito em preparação].
Soares, L. M.; Matias,L. S.; Paiva, L. O.; Pereira, L. S.; & Xavier, R. N. (2026). Adaptação Cultural e Estudo Psicométrico da Awareness, Courage, and Responsiveness Scale. [Manuscrito aprovado para publicação pela equipe editorial da Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social]